11 de jun de 2011

...

Hoje vou tratar de algo que me intrigou.

Ouvi uma "música", intitulada  4'33'', possuíndo apenas facets (notação usada por instrumentistas para denominar "o não tocar"), composta por John Cage em 1952 enquanto pesquisava para fazer o post Avant-Garde, e esta me despertou para uma coisas da qual nós não estamos mais familiarizados.

o silêncio, a solitude, o nada produzindo o zunido em nossos ouvidos...

Há tempos quem mora nas grande cidades de todo o mundo, não consegue se livrar de qualquer ruído que seja. Carros, pessoas, Ipods, rádios de pilha... Independente da fonte, o ruído está lá, o que as vezes pode prejudicar não apenas nossa saúde auditíva como também atrapalhar nossos próprios pensamentos (Nem sempre estes são atrapalhados por aqueles, algumas vezes estes são até impulsionados por aqueles...)

Então hoje queria propor um desafio, aos que lêem o blog...

Tente após esta leitura ver quanto tempo você consegue ficar quieto, sem fazer barulho (salvo os necessários, como os da respiração, e aleatoriedades como cachorros nas ruas...) Veja pra onde os seus pensamentos caminham, vejam de que barulho você sentiu falta...

E eu dúvido que você consiga durar os 4'33''. Efim essa é a proposta.

A música está em tudo, em todo o universo...

                                                                            ...só nos falta dar tempo ouvi-la.

#Ouvindo (ou não) John Cage - 4'33''

6 de jun de 2011

Ouvi e Recomendo #2 Kiss It Up!

Todo mundo já ouviu falar no Kiss, gostem ou não já ouviram falar...



Kiss (ou KISS) é uma banda de hard rock dos Estados Unidos, formada em Nova York em 1973. Conhecida mundialmente por suas maquiagens, e por seus concertos muito elaborados que incluem guitarras esfumaçantes, cuspir fogo e sangue, pirotecnias e muito mais.


O Kiss foi um dos maiores impactos culturais da década de 1970, por suas roupas e maquiagens, que marcaram a história da música. Seus fundadores, Gene Simmons (baixo e vocal) e Paul Stanley (guitarra rítmica e vocal), encotraram Ace Frehley (guitarra solo e vocal) e Peter Criss (bateria e vocal), seus companheiros de banda em anuncios feitos no jornal e revistas (a saber, na Rolling Stone...)

Para definir o figurino da banda, mesclaram elementos de super-heróis em quadrinhos com personagens do teatro japonês. Usando botas com saltos enormes que davam um ar de super heróis titânicos ao grupo e se tornariam então: "The Starchild" (Paul Stanley), "The Demon" (Gene Simmons), "Space Man" (Ace Frehley) e "The Catman" (Peter Criss). Estes foram definidos por personalidades e gostos pessoais...


E como tudo na vida muda, o Kiss também mudou... (até hoje seus maiores fãs não sabem se pra melhor ou pior...) Eles deixam o Hard Rock um pouco de lado e começam as experimentações com a música disco, tornando seus albuns mais pop. Na maioria das bandas de rock, temos as bebidas e as drogas... Bem no Kiss não foi diferente... Peter Criss começou a ter problemas com essas substâncias (tinha que ser o baterista... xD) e acabou sendo "retirado" da banda, dando lugar a Eric Carr. E essa fase de declínio foi encerrada com um dos álbuns mais controversos da banda o "Music from the Elder", que foi um álbum conceitual cuja base é a história de um menino que deve enfrentar as forças do mal.

Apos esta fase dita conturbada do Kiss, eles resurgem com o albúm Creatures of the night, albúm este que não teve a participação de Ace Frehley que também teve problemas com drogas e um acidente...


Em 1983 atráves de um grande golpe publicitário, decidiram fazer um show sem as maquiagens que são até hoje uma das marcas da banda.

Após isso os integrantes originais se reunem para fazer algumas turnes sendo uma delas de despedida a "Farewell Tour".


Mesmo assim após a turne decidem gravar um ultimo álbum ao vivo (disponível aqui no blog...) no qual tocam com a Orchestra Sinfônica de Melborn...

Atualmente seus integrantes mantêm contato, protagonizando diversos shows e acreditem ou não lançando cds...(solos e da própria banda)


Depois de ler tudo isso você não vai pegar nem um cd pra dar uma ouvida no trabalho deles?

Ai ai...


até a próxima...

Para baixar visite...
                                         Downloads de Coisa Nenhuma

#Ouvindo Kiss - Goin' Blind (Unpluged Version)

30 de mai de 2011

...Aviso...

Em parceria com o mantenedor do Blog Tecnologia de Coisa Nenhuma, já está em atividade o Downloads de Coisa Nenhuma.

Blog este que possibilita a "baixação" de qualquer um dos itens disponíveis que lá estejam...

São séries, Hq's, Mangás, Animes e eu, vosso humilde servo, estou a cuidar de tudo que diz respeito à música. Portanto, através deste aviso, convido-os e alerto-os que a partir de hoje estarei disponibilizando  através do supracitado DCN, os albúns das bandas que eu venha tratar aqui no blog...( para conferir, clique aqui)

Desde já grato pela atenção...

                                             ...Até a breve,muito breve...
                                                                                                ...Lucas G. Mitraud


#Ouvindo Axell Rudi Pell - Talk of the Guns

23 de mai de 2011

Avant!

Voltando a série sobre movimentos musicais, falarei sobre a vanguarda (não confundir com jovem guarda...)
Os movimentos de vanguarda são aqueles que, "guiam a cultura de seus tempos", estando de certa forma à frente deles. Muitos destes movimentos possuíam/possuem militantes, lança(va)m manifestos e acredita(va)m que a verdade encontra(va)-se com eles.

Vanguarda (deriva do francês avant-garde) em sentido literal faz referência ao batalhão militar que precede as tropas em ataque durante uma batalha. Daí deduz-se que vanguarda é aquilo que "está à frente". Desta forma, todo aquele que está à frente de algo e, portanto aquele que está à frente do seu tempo em uma atitude poderia se intitular como pertencente a uma vanguarda.

Pode-se dizer também que o movimento de vanguarda é àquele que pressiona os limites do status-quo, tentando de alguma forma romper ou expandir as barreiras do socialmente aceito.

Em termos musicais, a música de vanguarda é dita como aquela que agrupa as tendências da música erudita surgidas após a Segunda Guerra Mundial... Mas voltando para os nossos dias, pode se referir a qualquer obra que utilize técnicas de expressão inovadoras e radicalmente diferentes do que é tradicionalmente é feito, assumindo, logo, um caráter quase exclusivamente experimental.

O movimento, que inspira mudança, possui diversas vertentes e formas de composição, por isso tratarei de três apenas (para maiores informações:
clique aqui)

A mais conhecida e disseminada vertente do avant-garde é a música eletrônica, que é toda música criada ou modificada através do uso de equipamentos e instrumentos eletrônicos, tais como sintetizadores, gravadores digitais, computadores ou softwares de composição.

Kraftwerk - Trans-Europe Express (Os vôvôs da musica eletrônica...)

A música microtonal é chamada assim por conter em sua estrutura os chamados microtons, intervalos entre notas menores do que um meiotom (Um semitom é o menor intervalo mais utilizado no mundo ocidental, dividindo-o temos o meiotom e subdividindo o meiotom chegamos ao microtom). O microton é muito utilizado nas músicas orientais, e foi primeiramente encontrado em tabuletas de argila na Mesopotâmia.

Tolgahan Cogulu, um musicista árabe, mostrando sua invenção, o violão microtonal ajustável e explicando e utilizando os microtons. Nesta parte, que é a primeira de uma série, há uma explicação (em inglês, ou algo parecido...) sobre o que é o microtom. Os exemplos de músicas que utilizam essa técnica, são encontrados aos 3'55'', 5'50'', 7'34'', 9'58'' do mesmo vídeo.

Por último, temos a música minimalista, que acredito eu, tenha sido a base para o punk rock...

Este tipo de denominação musical, tem como característica a repetição de pequenos trechos, com pequenas variações através de grandes períodos de tempo e/ou estaticidade na forma de tons executados durante um longo tempo além de possuir ritmos quase hipnóticos.


Composição minimalista para piano
 
Acho que deu pra ver que escolhi as duas últimas por causa dos nomes bacanas e também pelo fato de que muita gente (incluo me nessa lista...) nunca ouviram falar nessas vertentes da música.

Para finalizar resalto que as variações de frenquências em um período são belas...
Não é a toa que isso é denominado 1º arte...

#Ouvindo Counting Crows - Goodnight Elisabeth

4 de mai de 2011

Herança...

Fugindo um pouco de tudo, quero falar de algo que me chama atenção já há um tempo (Muito tempo mesmo porque há muuuuuito tempo que não escrevo...)
A falta de Respeito
Hoje em dia é de praxe que nós temos que respeitar as pessoas e suas opiniões, mas muitas vezes não percebemos que algumas das nossas atitudes, já tão enraizadas em nós, são tão preconceituosas como o preconceito explícito.
Apesar disso, mudando um pouco o contexto, contextualizo como foco ao respeito paterno/materno.
A geração "YZ" que está vindo tem uma grande tendência a ser impaciente por causa do contexto social em que estão inseridos, muitas vezes alegando que o que é mais velho deve ser descartado, dando seu lugar ao novo, não aproveitando com isso a oportunidade de conhecer o antigo, velho ou como gosto de chamar clássico...

Um bom exemplo disso é desmerecer o que seus pais ouviam, ou o que seus irmãos mais velhos curtiam no tempo deles... Os jovens (de qualquer época...) sempre "avant-garde", criavam tendências e as viviam, independente da geração mais velha gostar ou não.
Ainda é assim nos dias de hoje...

É bem comum vermos pessoas coloridas, cabelos estranhos, roupas completamente pretas, piercings nos mais variados lugares (variados mesmo...) e alargadores monstruosos. A juventude sempre foi algo que chamava a atenção de todos, mas isso não é motivo para esquecer o que passou, e ouvir o que a "velha guarda" têm a dizer.

Um desses dias pude assistir com meu pai, (ele que me chamou pra ver...) um documentario sobre o Led Zeppelin e o guitarrista Jimmy Page, sobre a versatilidade, cultura e conceitos que ele cunhava por traz de suas composições. Na música épica do Led Zeppelin, Kashmir, foram gastos três anos em composição, pois os membros da banda estudaram os conceitos das músicas marroquina, indiana e do Oriente Médio, utilizando cítaras e outros instrumentos exóticos.

Led Zeppelin - Kashmir (Live)


Tive, neste mesmo dia a oportunidade de ver como a velha escola fazia suas músicas, mergulhei em uma viagem, nos momentos de saráu onde, Vinícius de Morais compunha e brincava ao redor de uma mesa, com gente que gostava daquilo, os verdadeiros bôemios que se reuniam apenas para apreciar boa música.

Enquanto hoje as pessoas montam bandas, sem saber para onde vão e principalmente sem saber de onde vêm...
Sendo músico sei que o simples fato de tocar é bom, e acabamos passando por cima de conceitos básicos de composição por causa disso. (acabando por criar algo não muito bom, que podia alcançar uma melhor qualidade.)

Enfim, digo-vos o que acho que deve ser dito...
Até a póxima...

#Ouvindo Poets of the Fall - Sorry Go 'Round

19 de abr de 2011

Vi e Recomendo #4

Depois de tanto tempo sem postar (afinal o ultimo post foi apenas um aquecimento...), resolvi mostrar a vocês algo que eu descobri recentemente.
Fiquei muito impressionado, achei a idéia fantástica e o fato de que é algo inusitado e que até o momento era desconhecida para mim.

Sempre pensei que a surdez fosse algo que impediria as pessoas de apreciar, compor e desfrutar das músicas (ignorância minha...) , porém vi que não é bem assim que acontece.

Existem pessoas e grupos que possuem problemas auditivos que são verdadeiros pioneiros ou desenvolvem um trabalho bem interessante em suas áreas. Vou citar 3 deles:

O primeiro é o projeto é o Corposinalizante, que surgiu com a criação do blog em 7 de novembro de 2008. A idéia era reunir um grupo de jovens artistas, educadores e pesquisadores surdos e ouvintes para realizar formação de jovens, reportagens, pesquisas, encontros com artistas e educadores, documentários, performances e intervenções urbanas.
O principal objetivo é quebrar as barreiras de comunicação da comunidade surda e também mostrar ao mundo que os surdos são tão capazes como os ouvintes. (Mais informações acesse o blog).

A segunda é uma balada pensada por surdos, para surdos, sem excluir os ouvintes. Organizada por Leonardo Cartilho, a balada que teve sua 3º edição em SP no dia 16/04/2011, têm como objetivo mostrar que a música é universal (coisa que já venho dizendo faz um bom tempo por aqui...) e arrecadar fundos para a construção de uma casa de show para este público em especial. O chão é feito de madeira para dar ainda mais vibração para a música.

Trecho da entrevista com Leo Cartilho

E por último e mais impressionante (obviamente sem desprezar ou tirar o valor dos anteriores...), por tratar de algo que realmente foi inédito no mundo musical...

O Finlandês Marko Vuoriheimo é um Rapper surdo conhecido por Signmark e descreve sua música como um rap engajado, que possui propósitos sociais. Nasceu em uma família de cantores e por isso desenvolveu o canto. Ele acredita que os surdos, não devem ser vistos como incapazes e sim como uma minoria que possui sua própria língua e cultura.
Começou em 2004 a compor suas próprias músicas, levando em conta os sinais para a comunicação com os surdos, além das linhas de baixo (instrumento ok?) que devem ser bem marcadas para que ele possa acompanhar a música e suas rimas encaixem no tempo da mesma.
Outra coisa importante são as expressões faciais que ele faz, para reforçar os sinais feitos com suas mãos.

Ele levou a música a um patamar mais ideal, onde uma minoria, antes excluída, pode desfrutá-la e até mesmo entende-la. As pessoas agora têm a oportunidade de sentir o que é cantado, com ele tanto surdos como ouvintes conseguem gostar e concordar com o que é dito.

Signmark - Spearkerbox

Finalizando o post deixo um trecho do refrão pra vocês...

"...Deixe sua alma ser uma caixa de som
Você tem a chave nas suas mãos
Se abra relaxa e faça o que você tem que fazer..."


#Ouvindo Arbol - Gente

11 de abr de 2011

Cover da Semana, recomendo...#2

Começo este post dizendo o qual impressionante o universo musical é. Tantas misturas e possibilidades dentro de um mesmo tema são incríveis e passíveis de admiração. Não é à toa que a música cativa as pessoas.

Enfim vamos ao cover...

Acredito que muitos (mesmo os que não gostam do estilo) já tenham ouvido falar de Depeche Mode, com suas músicas de aspecto sombrio. Uma das grandes bandas representantes da música eletrônica. A música que é considerada sua assinatura musical do grupo, já foi regravada por várias bandas como Breaking Benjamin, Keane, Tori Amos, Lacuna Coil, Nada Surf, Scala & Kolacny Brothers, Entwine, Failure, It Dies Today, Evergreen Terrace, Tanghetto, The Academy Is..., Cobra Starship, Anberlin, HIM, Matthew Good, Bell X1, Apoptygma Berzerk, e No Use for a Name.

Bem, variando entre neo tango, techno, metalcore, punk rock e etc... depois de ouvir todos esses (algumas boas versões e outras nem tanto...) cheguei a três principais covers dessa obra de arte do Depeche Mode:



Em primeiro a original...Afinal original é original, e serve também para estabelecer um parâmetro de análise...



Em segundo, a que eu acredito que tenha conseguido contextualizar a música para o rock, e interpreta-la de forma em que o estilo gótico da banda casasse perfeitamente com o conteúdo original da música.
(Lacuna Coil)



Em terceiro o que mais me impressionou pelo fato de a banda ter reinterpretado a música de forma completamente inusitada, alterando a sonoridade da mesma, possibilitando uma mudança na percepção do ouvinte, deixando-a mais alegre e pop.
(Nada Surf)


E apesar de muitas outras merecerem o posto, fica pra essa versão folk/acústica a terceira posição dos covers.
(Bell X1)

Alguns outros artistas me impressionaram na interpretação desse clássico do synth-pop, entre eles o grupo Scala & Kolacny Brothers, um coral feminino belga que já reinterpretou alguns clássicos da música como este por exemplo.

Enfim sempre que não tiver mais o que ouvir...

...Enjoy the Silence


#Ouvindo Scala and Kolacny Bros - With or Without You